segunda-feira, 6 de junho de 2011

A viagem decorreu sem sobressaltos. Não apareceu ninguém a pedir-lhe o bilhete. Talvez porque Irs passou quase todo o tempo a falar com pessoas. Conversa aqui, conversa acolá, sentia que o mundo lhe abria as portas. Não imaginava o que cada uma pensava, mas ouvia o que lhe diziam como se não restassem dúvidas sobre as reais intenções que faziam mover o comboio rasgando a planície como um gume afiado.
Se as palavras conduziam a uma zona mais recatada da carruagem, Irs pensava mesmo que deviam querer dizer-lhe algo muito especial e anuía de forma inocente.
A dada altura, houve quem, a pretexto de explicar um qualquer pormenor, lhe passou a mão por entre as pernas, e nem assim Irs se deu conta de que aquele poderia ser um gesto carregado de segundas intenções. Pelo contrário, considerou agradável a sensação que teve de uns dedos avivando o tecido das suas calças. E quando surgiu a oferta de casa para ficar em Lisboa, não hesitou em aceitar, no maior dos contentamentos.