terça-feira, 19 de julho de 2011

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Deixamos morrer as nossas crianças em número de centenas de milhar. Permitimos a sua morte em toda a parte. Vemo-las seguir viagem, desnutridas e sequiosas, e continuamos, sem pestanejar, sem uma lágrima que se veja derramada, sem um ai de remorso, como se não fossem nossas, as crianças, como se não nos dissessem respeito, como se nunca antes as tivéssemos visto e amado.
Nem abordamos as suas mortes quando nos juntamos em volta da mesa para as refeições, quando nos encontramos por motivos profissionais, quando nos agrupamos sob o calor da praia.
Elas morrem, as crianças, de ossos salientes, lábios ressequidos, olhos de farrapo, e nós tratando dos nossos assuntos, rindo e foliando no melhor dos mundos.
Não se ouve um gemido. Não têm forças para chorar as crianças mortas nos corpos que a noite embala sob a palidez da lua enquanto passa.