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Quando me releio tempos depois de escrever dou de caras com um mundo construído à margem da minha vontade por mãos aparentemente descidas do sono que avança nas águas.
Não me atrevo a perguntar o que quer que seja. Nem ouso fazer qualquer movimento de aproximação.
O que escrevo é um tempo intacto que só encontra explicação se mantiver uma coerência na qual não me cabe intervir.
As palavras que me saem dos olhos ganham sentido para além do que digo, do que penso, do que anseio. São um mar sólido, pedregoso, que repõe a escuridão dos espíritos, as conversas proibidas, a esperança morta junto às nuvens baixas.