sexta-feira, 9 de setembro de 2011

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Noite após noite, consulto a agenda para verificar o que tenho para fazer e quando passo os olhos pelas minhas anotações banais e corriqueiras sinto-me com mais ânimo, mais determinação no agir, no reagir, como se as tarefas que me aguardam tivessem sido registadas para me tonificarem, para me levarem a erguer da cama e a encontrar motivos para continuar.
Por vezes, antes de olhar para o que me competirá resolver, sinto um estremecimento, uma espécie de receio, como se de súbito me pudesse deparar com algo capaz de pôr em causa a minha segurança, mas depressa me recomponho e me agarro ao que se impõe: levar o carro à oficina, fazer compras no supermercado, telefonar para a seguradora, marcar consulta no dentista, tomar café com Lenz, ir a uma reunião na escola de Eid…
Gosto que a vida gire em torno do que preenche as minhas horas. São caminhos que vou seguindo e que me conduzem a outras direcções e lugares. Se na minha existência tudo desabasse e desaparecesse, se tombassem prédios, chocassem comboios, caíssem aviões, explodissem mares e rios, creio que nem assim eu deixaria de encontrar amparo nas notas da agenda cuja companhia não dispenso por um instante que seja.