terça-feira, 18 de outubro de 2011

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A humidade submerge-me, mas é essa submersão que me atira para os confins da escrita. Sem humidade, não vejo longe, não produzo ideias, não pressinto o estremecimento de ruas, prédios, torres, armazéns abandonados.
Recolho-me na noite e o peso acontece dentro da minha visão. A noite que traz a humidade sobre as coisas.
Depois, sinto o escuro embravecer. Primeiro, quase imperceptivelmente, a seguir de forma incontrolável, roçando a violência.
Terá sido esse o motivo pelo qual abandonei Lisboa? Terá sido por isso que parti sem pensar, sem medir consequências, começando de novo no meio do mar inexplicável que me viu nascer? Que me esperava, afinal? Que mistério, lá longe, me buscava?
Aproxima-se o momento de encontrar a resposta, o momento de compreender a curva do ilimite sobre o qual a razão inscreve a marca de andanças e fugas demoníacas.