quinta-feira, 17 de novembro de 2011

101
Deus ganha forma nas cavidades da terra onde cintila a luz vaga das horas quando morrem. Não sei que espaço lhe é reservado. Nunca saberei. Só tenho a certeza de procurar um encontro sem remissão.
Há dilemas que não sou capaz de enfrentar ou superar. Sinais, contornos. Mas não hesito na fuga, não posso deixar de a prosseguir.
O luar da noite chama por mim e o seu brilho brilha mais que todas as lonjuras da galáxia.
Deus é pobre e débil e ausente. Não tem poder sobre relâmpagos, ventos, terramotos. Nem quando me deito vem junto de mim perguntar se preciso de alguma coisa, se me dói o peito ou a cabeça, se tenho algum medo tremendo nas lágrimas. É como se não existisse, embora não me restem dúvidas de que está em toda a parte, me protege, me segue, me observa. Antes me deixasse a sós com a tragédia da alma.
Deus está na raiz do meu pecado. Não consigo libertar-me do seu peso, não tenho maneira de escapar aos seus dedos atravessados de esgar. Não oiço a voz da promessa, nem vislumbro o aceno da vingança. Nada me redimirá.