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Quando vou de carro na estrada, não pertenço a lugar algum. Vou em movimento, depois de ter saído de um lado e antes de chegar a outro. Suspendo o que ficou para trás e atraso o encontro com o que me espera adiante. Ocupo o vazio entre dois sítios. É uma espécie de fuga, que se pode prolongar por minutos, horas, dias.
Mas não interessa o tempo que demoro. Uma viagem de cinco minutos é sempre uma eternidade. Enquanto dura é como se não terminasse.
Em andamento, não sou eu. Sou outra pessoa. Alguém sem pátria, que se desloca de um pais para outro. Sem casa, sem lugar, sem trabalho, a caminho de algo que nunca se saberá o que é enquanto o destino não se consumar.
Quando viajo, não tenho identidade. Sou alguém por marcar, por carimbar. É a minha forma de não viver.