sábado, 24 de dezembro de 2011

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A corrente das vozes sopra na cidade onde procuro um sítio para viver. Como se a visão ondulasse nos recantos da paixão com lembranças antigas.
Adivinho alguém no fundo da noite quando as estrelas escurecem. O som exacto que há no fulgor de toda a gente.
Sou a espécie de febre sobre os contornos da frouxa claridade nos vãos de caminhos intermináveis.
Não venho do espaço nem do tempo. Trago a lonjura que exalta e prometo seguir a palavra ciciada.
Não me afligem sinais nem repiques de sinos.
É meia-noite. Ouvem-se passos cabisbaixos levando na ideia uma glória por justificar. Sabem desde sempre quem sou. Mesmo sem nunca me terem conhecido. Sem nunca me terem vislumbrado numa distância de frecha.
Compete-me hoje nascer. Sorrir, receber, auscultar. Nesta inocência redentora de que me cercaram.