terça-feira, 20 de dezembro de 2011

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Se a imaginação nos foi dada, para alguma coisa servirá. Não faria sentido que fosse criada para coisa nenhuma, que nos tivesse sido concedida sem motivo ou fundamento.
Mesmo assim, a maioria vota-a ao desprezo, não lhe reconhece lugar, não a refere nem usa no local de trabalho, não a tem em conta na investigação, não a inclui nos assuntos considerados sérios e decisivos. Remete-a para a categoria do devaneio. Parece ter vergonha de a possuir e exercitar.
A imaginação é o único meio de que dispomos para conhecer o que não está ao alcance da experiência imediata. É a única forma que temos de atingir além do que permite a ciência.
Pode alegar-se que nunca teremos certezas com a imaginação. E tê-la-emos com a ciência?
A imaginação dá-nos o olhar para vermos na lonjura do cosmos e no infinito de cada ser.
É talvez o segredo mais bem guardado de Deus. Nada nos disse sobre ela, mas permite-nos dispor da sua completa liberdade. Foi, de resto, a nossa imaginação que O criou. Ter-no-la-á dado com esse fim?
Se a imaginação nos serviu para encontrar Deus, também nos pode servir para chegar ao tanto mais que há.