sábado, 17 de dezembro de 2011

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Há um novo vazio em mim quando Eid sai de casa. Antes, a sua ausência criava o espaço de um choro que não se concretizava, uma sisudez de cadeira imobilizada ou de brinquedo caído no chão por uma birra facilmente resolvida.
Agora, o vazio é de outra natureza. É fundo, trepidante de significados, avassalador. Traz menos uma palavra acertada, menos uma sensibilidade atenta a cirandar nos corredores, menos um olhar profundo em volta, menos um suspiro de entendimento, menos um gesto de silêncio com brilho.
Quanto mais Eid cresce e amadurece, maior é o vazio que semeia nos momentos em que se ausenta. Como se tivesse partido para um lugar distante, apesar de eu saber que regressará dentro de horas.
Para enganar o vazio, coloquei umas pantufas suas no centro da casa, em permanência, bem diante dos meus olhos. Assim, tenho a certeza de que o seu rasto por ali passou. E de que por ali voltará a passar.