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Não há silêncio maior do que a falta de amor rente aos brilhos nocturnos da casa. Nem se consegue andar de quarto em quarto só para evitar o confronto com o nada. É um tempo derramado. E chorar não é permitido porque tudo é seco e árido e nu.
Em cima do silêncio apenas o eco das palavras antigas com acenos caídos junto a uma peça de roupa amarrotada sobre a cama.
Não há nada maior do que o amor fugido das noites que velejam nas correntes. Pergunta-se, procura-se, explora-se, mas os gestos confundem-se, extinguem-se.
A casa está pronta na sua morte como uma oficina de ferramentas olhando as horas desprovidas na lembrança. Há uma vertigem exposta de sombras que desaparecem até ao limite com janelas empoeiradas.
Nem um grito para superar medos, aniquilar ansiedades. Só abandono em massa sobre a minha alma.