86
Deixaram-nos seguir no rasto dos silêncios devorando os eflúvios do eterno, para que cavalgássemos o fim da noite sem medo e sem perguntas, arrostando caminhos de aventura e tormento.
Vieram desenganos, tropelias, emoções, medos, expectativas, visões esquecidas de recompensa.
Por mais que se aproximem, agora, não nos conhecerão. E será sempre maior o infinito que nos espera.
Viajaremos para lá. Pássaros de inúmeros tempos avançando para o fim que não termina. Em perseguição da revolta. Quando o céu desce em nós para absorver a raiz da palavra.
Longe ficou o eco do nosso amor.
De nada serve a esperança. De nada vale anunciar o fogo ou o vento da pedra rasgando a noite.
É fundo e vago o mistério que nos aguarda.