sábado, 14 de janeiro de 2012

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São 9h15 de um dia de inverno numa estação de abastecimento de combustível. Chove. Os carros passam na estrada a poucos metros de distância respingando o ar em volta.
No interior, a luz pálida enche o ambiente. Duas ou três pessoas entram e saem para tomar café, encostadas ao balcão, sonolentas ainda.
Como adivinhar o que lhes atravessa a alma?
A televisão emite sons dificilmente audíveis, imagens desfocadas, sem nexo.
Nas prateleiras, produtos de primeira necessidade parecem esperar, indecisos, como se tivessem ânsia de saber quem chegará para os adquirir.
Calculo que não valerá a pena dar uma vista de olhos em jornais e revistas. Os passos entre o expositor e a mesa onde tomo café desincentivam a deslocação. Também sei que, se me deixasse levar pela curiosidade, encontraria matéria sem interesse.
Prefiro observar a porta de vidro transparente da arca frigorífica e imaginar o que beber.
A pessoa que serve ao balcão olha-me furtivamente, enquanto vou esvaziando a chávena sem pressas. Como se, a qualquer momento, fosse acontecer alguma coisa que não pudéssemos prever.