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A minha alma é uma espécie de tempo sem tempo, tempo que não passa, mas que vai crescendo, noite após noite, vai aumentando a sua leveza, o seu significado irreproduzível.
Durante anos, pensei que a alma era uma construção sobre a qual se falava sem fundamento, mas, com o avançar do calendário, fui-me dando conta de algo que saía de mim e me envolvia, algo tão ténue que era como se não tivesse espessura, ainda que o seu volume fosse ganhando espaço em meu redor, protegendo-me, cobrindo-me, aquecendo-me e, ao mesmo tempo, encontrando sustento na perceção íntima das coisas.
Até que passei a conviver de forma regular com essa espécie de poalha luminosa que me acompanha, encandeia, entontece, traduz o visível, transmite ânimo, acrescenta sentido, posiciona, dá sugestões, alerta...