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- Estás a chorar? - pergunta Eid, fixando-me nos olhos como se antecipasse que eu poderia esconder alguma coisa.
- Não estou a chorar coisa nenhuma! Por que haveria de estar a chorar? Até me sinto com uma belíssima disposição - acentuava eu, sorrindo e olhando na direção de Eid, para que não lhe restassem dúvidas sobre o meu estado de espírito.
- Mas estavas com uma expressão abatida. Parecias triste.
- Isso foi porque hoje trabalhei muito...
- Olha para mim e sorri - pediu Eid, não escondendo a sua dificuldade em acreditar nas minhas palavras.
Fiz-lhe a vontade e Eid pôs-se a observar-me com minúcia e olhos muito abertos para não perder uma ruga, por mínima que fosse, da minha expressão facial.
- Vês que não estou a chorar? Não tenho motivos para isso.
Mas Eid nem por isso deixava de manter o seu ar de incredulidade. Por mais fortes que se revelassem os meus argumentos, só contribuíam para provocar o efeito inverso do pretendido, adensando cada vez mais a nuvem que eu carregava. Como uma cruz.