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A meu lado, Gew murmura uma melodia de rádio, enquanto vai manipulando os botões do telemóvel.
Estamos dentro do carro, parado na berma de uma rua secundária, em terra batida, que segue junto a uma autoestrada, onde os motores aceleram como se não pudessem esperar.
A cantilena de Gew é interrompida por uma série de anúncios publicitários. Nessa altura, decide abrir o porta-luvas e, de repente, dá um grito de alegria:
- Encontrei o meu relógio!
Desata aos saltos no assento e coloca-o nervosamente no pulso, demorando-se a olhá-lo, enquanto vai matando saudades.
Há muito que não via Gew com aquele seu sorriso do tamanho do céu. Só lhe conhecia tal vibração quando estava na companhia de Flesd. Mas Flesd tinha partido há meses. E não voltara a dar notícias.