quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

88
Viverei o caos na sua bondade junto às pedras quando o pensamento cair sobre a margem e nada mais houver para explicar. Viverei a noite no seu alcance mais remoto, o grito, o olhar, a fuga, o crime de permanecer em silêncio pelo tempo fora.
Nada me demoverá deste propósito. Deixarei cada palavra no lugar exato do seu sentido e da sua revolta, da sua cedência. Nada buscarei. Nem perdoarei.
Para que me seja permitido reiniciar a consciência do fogo, o olhar que atravessa a sensibilidade nos seus contornos.
Tudo analisarei no limiar do abismo. No vértice incansável da esperança. Até que o coração se me detenha e a palavra inaugure o que virá.