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Entro numa livraria e percorro páginas com os olhos. Leio aqui, desfolho acolá, e dou-me conta de um mundo que nada tem a ver com o meu. É como se tivesse chegado a outro planeta.
Não me identifico com o que leio na maioria dos livros que hoje circulam. O que vejo geralmente descrito não é o meu universo. Não são palavras que me digam alguma coisa, que me apeteçam receber e partilhar. São palavras… só que outras palavras. Com outros significados. Palavras que falam de estranhas realidades.
Abro ao acaso e aflijo-me ao ler: "No esforço hercúleo de desprezar a inteligência instituída, Irene tornara-se uma snob, às vezes simplista. Mas se fizerem o favor de olhar para ela agora, nesta tarde chuvosa de Maio de 2004, ficarão fascinados com a forma como ela salta para dentro de cada poça de água, com as botas de borracha, azul eléctrico, à maneira de uma criança".
Não percebo o alcance de certas narrativas. Não entendo o jogo.