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O caminho da escrita é sempre a doer. Não dá tréguas, não permite escapes. É um carreiro de dúvidas permanentes, de percalços ininterruptos. Feito de lágrimas, silêncios, amarguras, sentimentos torpedeados.
Nem se coloca a hipótese de facilitar. E por que se haveria de fazê-lo? A troco de que compensação?
Quanto mais árduo o trilho, mais galvanizadora a meta a atingir.
Depois, vem a dor de doer. A dor de sentir que o percurso escolhido dói por cima de muitas outras dores que não terminarão.
Olham-nos e têm pena de nós. Consideram-nos infelizes, entendem que não acertamos o passo, ignoram-nos com olhares distantes. Por pouco não nos enxotam como a moscas ou cães.
Mas não temos maneira de fugir a tanto desprezo.
Caímos, cedemos, afundamo-nos. Sabendo, contudo, que apenas nos resta o destino de escrever. De alcançar a página em negro.