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É quando todos dormem que as coisas acontecem, se desbravam, se revelam.
Dorme-se para que o mundo possa viver, iluminar ruas, praças e jardins onde se estendem as cidades.
A vida começa nos escombros, na impaciência, na loucura, no abandono. Como uma culpa.
Tenho o sonho de ser cidade e ter tanta gente em mim seguindo para infinitas direções.
Quanto mais dormir, mais liberdade.
Cheguei a Lisboa e as ruas palpitavam de ânsias nas cores. Não havia quem se atemorizasse.
Sem imaginar onde tinha caído, decidi ir em frente, experimentar.
As pessoas tinham rosto e acreditavam. Mesmo que os motivos não fossem sustentáveis. Acreditavam porque viam gente à sua volta. Uma espécie de religião, com jovens deuses pregando doutrinas pela noite dentro.