sexta-feira, 25 de maio de 2012

Como pode um romance dar conta do que não se vê, do que não se fala, do que não chega a acontecer? Como pode descobrir e expor o infinito que há em cada pessoa? Como pode detetar o que se esconde por detrás da dúvida e do incerto? Como pode dizer o irrevelável?
Um romance não poderá deixar de ser o tempo de personagens e ocorrências, não poderá deixar de pôr em palavras o que sucedeu e o que não sucedeu, o que vai suceder, o que não se sabe se está a suceder, o que tanto se deseja que suceda ou não suceda.
Um romance também é o que não há, o que não se encontra, o que não se dá. Também é a fuga, a ameaça, o canto da dor por definir. Também é a lágrima que se ergue para iluminar a noite no reino dos medos. Oh fúria de tanto amor. O que vem depois da catástrofe, o que nasce de novo e se revê nos sinais do mundo inicial que nos aborda.
A existência, ou essa dimensão do que decorre monótono e vazio, essa noite sem profecia das palavras submersas no eco deslizando para a foz.
Não nos aguardam surpresas na revelação de cada instante que viveremos.