E, de repente, a beleza desapareceu do lugar onde vivo. Agora, não vejo brilho, nem cor, nem fresco, nem som.
Por vezes, até parece que o belo ainda possa andar por aí, só que deixou de ser o belo que era. O que vejo ultimamente é um belo que não fala, não respira, não pensa.
O mar está na minha frente, como sempre esteve, correndo as suas ondas como antes, mas a voz parece ter-lhe fugido. É um mar mudo o que tenho diante dos olhos. A batida contra a rocha não é a mesma. Falta-lhe força e arrojo.
O mesmo se passa com o mais que há em volta. Por redondo que o céu se apresente, há uma tristeza linear que se eterniza nele. Um cinzento carregado que não passa.
A noite perdeu o nome. E não há mais para contar.
Vou fazer as malas e partir em busca do belo que deixou de me rodear e proteger. Deve ter ido para outro sítio. Preciso de descobrir onde mora, para encontrar casa no seu novo território. Por mais imundo que pareça, há de ser mais belo do que este belo que aqui vive desfalecendo.