É na palavra que existe quanto se procura. É no olhar que a palavra encontra o seu fulgor.
Há um tempo que abarca o infinito como se houvesse sempre algo para lá do que se vê. Sempre além. Sem necessidade de verificação.
Imaginar basta. Em cada olhar sobrevivem milhões de palavras e em cada palavra não se esgota o olhar.
O infinito é o mais próximo de nós. A pele, o coração, o sangue.
Corre mais infinito para dentro do que para fora. E nós de joelhos sobre a pedra murmurada de ecos que percorrem a escuridão pairando.
Rostos escondem-se por detrás de colinas e rios sob o olhar que não se distingue nem se nomeia.
Quantas lágrimas derramadas na melodia de vozes erguendo as alturas. Vozes de libertação e angústia.
Vem a esperança rasgar o medo na tropelia das palavras que cirandam. Baixando o olhar.