domingo, 13 de maio de 2012

O teu quarto fica na minha alma quando a noite passa nos remoinhos da gente que não se cansa de andar na rua de um lado ao outro. Gente atrás de gente, como numa avalancha.
O que se ouve é falar dos cinquenta cêntimos de uma guloseima, dos dezanove euros de uma refeição ou dos sete do serviço de um táxi. Também se fala de juros e de prestações vencidas na banca.
O ruído só não ensurdece porque a festa decorre ao ar livre. E então cada pessoa sente que pode dizer o que lhe der na gana.
As crianças olham para as luzes da noite incendiada como se tivessem acabado de chegar ao sítio de um sonho onde não há medos percorrendo.
Mas estávamos a falar do teu quarto e de onde ficam as paredes que o delimitam como telas de cores por imaginar. Passeias na festa e esse é o teu quarto verdadeiro, indesmentível, soberano. Passeias, sabendo que ando por perto a zelar pelo que te é seguro. É a minha principal competência. Abandono tudo para te proporcionar a alegria do convívio e do divertimento.
Por vezes, mostras boa disposição, outras vezes amuo ou cansaço. E não gostas de te explicar. Deixo que assim seja. Haja Deus.