Nesta minha casa do mundo, com vidraças que dão para o mar, lembrando castelos a ver do alto, vivo noite após noite e venho observar as marés quando as cores se misturam na agitação das ondas.
Nada acrescento à força que me rodeia e acompanha. Só permaneço na quietude dos centros reunidos, onde nasce o devir em torno dos passos que sulcam.
Oiço a voz que me pertence e que está diante do meu rosto como num espelho. A voz em que me reconheço e na qual procuro o alento prometido. Não fora esta voz e eu não encontraria sentido nas coisas que sucedem.
Serão horas no instante em que terminarei as palavras que escrevo. Deixo-me ir na torrente, não refreio os impulsos.
Venho de Lisboa, onde bati a muitas portas, mas não encontrei sítio que me acolhesse. Vagueei em fuga e dormi em vãos de escada de edifícios escurecidos.
Para não me deixar abater, pus-me a andar, andar, e via o fim cada vez mais distante. Era caminhar, sabendo que não haveria outra forma de alcançar o que procurava.
Caminhar sempre.