segunda-feira, 16 de julho de 2012

Esta noite, Mind entrou em mim com tal poder que fiquei sem saber o que fazer ou a que me agarrar. Aconteceu sem aviso, sem um pressentimento da minha parte.
Tinha acabado de sair da cama e senti uma espécie de vertigem, que não era vertigem, mas algo nebuloso, algo indefinível que parecia querer arrastar-me para um poço vasto e obscuro.
Tentei equilibrar-me, refazer-me.
Apercebi-me de que não tinha saída. Restava-me enfrentar o que houvesse para enfrentar. Olhos nos olhos, sem fuga possível.
Falei com Mind, desabafei, indaguei a sua opinião sobre o que se estava a passar, pedi-lhe ajuda. Esperei que me dissesse algumas palavras, que me sugerisse um destino.
Mal sabia o que estava para suceder poucos momentos depois, quando saísse à rua e parasse num cruzamento, atentando apenas para o lado único de onde vinha o trânsito, com o perigo a avançar do lado contrário ao da minha observação.
Mind deve ter procurado dizer-me alguma coisa, mas não me dei conta do seu intento.
Nos seus olhos, havia a clareza de sempre. O afago, a proximidade, o calor. Um assomo de música que me trazia um alento acrescido.
Não trocámos palavra. Era como se nos entendêssemos de acordo com a humidade suspensa em deambulações.
Acabámos por aceitar a partilha da dimensão em que nos revíamos. As nossas expressões eram reveladoras. Mirávamo-nos por entre esboços de sorrisos. Viveríamos sem interrupção no decorrer dos tempos fora.