Mlen olhou para Git e não teve a certeza se devia dizer o que estava a pensar naquele instante preciso. Se dissesse, poderia deitar a ocasião a perder, mas se não dissesse poderia deixar fugir uma oportunidade que lhe parecia de ouro.
Tinha conhecido Git em casa de uma pessoa de família na noite anterior e apercebera-se da existência de uma mútua e súbita atração. Desde então nunca mais se haviam separado.
Git era de poucas palavras, mas os seus olhos falavam mais do que todas as palavras. Os seus silêncios quase sistemáticos eram uma revelação. Não precisava de se identificar. Quanto maior fosse o seu mistério, quanto mais densa fosse a linguagem do seu rosto, mais forte era o desejo de Mlen.
O melhor seria trilhar o caminho menos direto, pensou Mlen. Contornar a palavra com a sua própria ausência. Desde jovem que vivia com a sensação de não entenderem a sua maneira de ser (viu um brilho de luz refletir-se em Git). Nem a sua família, nem as pessoas mais amigas haviam conseguido descer aos seus fundos. Então surgira Git e rasgara o tempo para desvendar o pecado que lhe abalava o íntimo…