Encontrar-me-ás na casa em movimento da cidade que habito. Virás de manto apoiar-te nos meus ombros, sussurrar-me pensamentos, aproximar-te para me veres sem reservas.
E eu deixarei que venhas e que preenchas a noite clara do desejo, deixarei que te consintas o usufruto das vozes liquefeitas.
Haja piedade para quem vive na margem derradeira. Na aflição sem limites de procurar o bem que nos há-de chegar.
Espero o toque do frémito que encontro nos teus dedos delicados. A entrega dos teus medos e das tantas hesitações que fulguraste quando não te rendeste.
Manterei o segredo das nossas conversas sem frases grandiloquentes. Nada direi de quando estivemos na beira daquele ano em que te revelaste.
O meu esforço é não perder-te, ainda que adiando a fé no tempo que falta percorrer.
É noite e as ondas batem contra a claridade que emana das rochas. Não haverá quem venha depositar o meu corpo sobre a relva fresca prometida.