Para onde nos levas no teu corpo ondulante? Nessa aparente mentira da tua entrega? Fixas o infinito e as tuas mãos endoidecem. Desprendes-te em sons e logo te amarras para nos comprometer.
Surges para dar sentido à razão em que nos vamos, sorrindo-nos em meiguices ligeiras de tão breves.
Para onde nos levas no teu coração vibrante? Que palavras deixaste por dizer quando o mar vinha de manso à tua beira? Que pensamentos te invadiram no instante em que os nossos olhos procuraram os teus?
Começámos no instante em que pronunciaste o teu sentir. Aos pés da tua dádiva recebíamos pensamentos secretos de almas ascendentes. Éramos fogo ardido e redenção, tempo exausto, dor informe de tão esperada.
Previsto o fim, ia a noite na sua espiral delirante quando decidiste romper a linha que nos abraçava. Não te prendíamos mais. Estavas acima do nosso alento derradeiro. A música era o teu silêncio maior. A tua palavra maldita.
Como se quebrássemos amarras no cais, desbravando águas de esquecimento. Para eleger o coração vilipendiado. Que em teu nome nos destroçava.