O destino vem do vivido que permaneceu insepultado nos anos. Travessia insuperada num choro de suspensão trepidante, por entre palavras de amor e fúria e beijos à despedida. Desencanto de paixão que não para de ferir a esperança sucumbida.
Se o tempo corre na vergasta, ainda que parecendo não correr verdadeiramente, é porque sobrevive em nós e ressurge nítido, noite após noite, em rumores de antanho.
Esse inominável que nos pede contas, nos olha em permanência, até doer o que há para doer.
Somos peso, somos demência, até que o nosso amor cante na janela dos anos que já foram, até que cante e nos ampare nesta desdita.
Não temos outros olhos. Apenas os olhos de quem nos quer.
Não nos atribulam pensamentos, não nos afligem presságios.
Só o princípio deste monstro, aos pés do qual nos finamos, em sujeição e cerco.