quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Escrever é decidir o que vai acontecer. Uma espécie de música que há de surgir na noite atingida. É ir ao futuro, sentir o que nos aguarda, experimentar o amor no outro lado da razão. É construir o que vai chegar. Não há motivos para desconsiderar o que tomará forma.
Para quê aguardar que as coisas sucedam, ainda por cima não tendo a garantia de que poderão mesmo materializar-se? Antes fazê-las palpáveis, ganhando tempo de realização e libertando-as da carga de incerteza que carregam.
Escrever o futuro é simples e natural. É organizar cada momento para a sua existência. Como jazz vibrando sobre uma tela em fundo de azul infinito. Que nada mais é necessário. Regista-se o que vale, o que conta, sílaba a sílaba, o que adquirirá peso. Sem subterfúgios nem equívocos.
Água correndo entre margens para a foz, depois das casas deslizando na noite imensa. Luzes trepidando, ruas zurzindo. Oh vozes vindas do longe em céu negro de murmúrios e vácuos.