Tinham ido, mas estavam presentes. Tão visíveis.
Eram o calor breve que nos encorajava, que nos fazia avançar nas horas densas de cada noite.
Chegavam e olhavam-nos em silêncio como se nos conhecessem desde sempre. Tomavam conta de nós, sentando-se à nossa beira, pensando connosco no infinito das coisas que preenchem.
Não atemorizavam. Eram uma companhia, um consolo, um suporte nos momentos árduos.
Por vezes, quase diziam alguma coisa, mas logo se retraíam num pudor, numa busca de melhor reflexão.
Traziam consigo a radical leveza de quem não se compromete, de quem tanto chega como vai, sem preocupação de agradar ou de ferir.
Viviam para nós, tal era o significado da sua presença. Davam segurança à nossa forma de estar, orientavam, aumentavam a visão que nos aguardava.
Foi a maneira que encontrámos de ter Deus connosco.